domingo, 24 de agosto de 2008

23.08.08 ...e como foi o debate "Literatura, quem publica?" ?

Renato Palmares, Binho, Ivan Antunes, Frederico Barbosa, André Luís (agachado), Sônia Pereira, Beso e Rui Mascarenhas.

...e aconteceu o acalorado debate "Literatura, quem publica?", às 10 horas da manhã do sábado, na Biblioteca Belmonte, em Santo Amaro; debate esse que nos enriqueceu com as diferentes iluminações dos nossos debatedores sentados à mesa e as intervenções precisas, do público presente.

Antônio Vicente Seraphim Pietroforte, prof do curso de graduação em letras e pós-graduação em semiótica e linguística geral da Usp, nos relatou suas experiências vividas com publicações de sua autoria nas áreas acadêmicas (Semiótica visual - os percursos do olhar (1ª ed, Contexto, 2004; 2ª ed, Contexto, 2007); Análise do texto visual - a construção da imagem (Contexto, 2007); Tópicos de semiótica - modelos teóricos e aplicações (Annablume, 2008), e literárias (Amsterdã SM (romance, DIX, 2007); O retrato do artista enquanto foge (poesias, DIX, 2007); Papéis convulsos (contos, DIX, 2008); Palavra quase muro (poesias, Demônio Negro, 2008); M(ai)S - antologia SadoMasoquista da Literatura Brasileira (DIX, 2008), organizada com o escritor Glauco Mattoso).

Frederico Barbosa, Antônio Vicente Pietroforte e Rui Mascarenhas.

Segundo o professor, o mercado acadêmico é sempre receptivo e tem interesse pelas novas produções acadêmicas e encontra apoio de instituições fortes, a exemplo da "FAPESP" - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, e que é possível achar, sem muita dificuldade, uma editora especializada que investirá na publicação e posicionará estrategicamente o livro para escoamento. O mesmo não acontece com as publicações "literárias" que exigem mais perseverança do autor para sua realização, e a sujeição, em contra partida da publicação, às condições amenas impostas pelas editoras, ou mesmo inexistentes, de retribuição desse trabalho - quando não, elas ainda cobram, a preços euro-espaciais, para que você possa ter seu livro publicado.

...bem, palavras minhas: esse que é o verdadeiro “comércio” das “editoras comerciais” - depois abandonam seu livro no estoque.

O prof. Frederico Barbosa foi o segundo a nos relatar suas experiências com o nosso semi-árido mercado de publicações, onde publicou os livros de poesia Rarefato (1990); Nada Feito Nada (1993), que ganhou o Prêmio Jabuti; Contracorrente (2000); Louco no Oco sem Beiras (2001); Cantar de Amor entre os Escombros (2002); A Consciência do Zero (2004) e, em parceria com Antonio Risério, Brasibraseiro (2004), pelo qual recebeu seu segundo Prêmio Jabuti (e que vendeu cerca de 18 mil exemplares – medalha de ouro, para essa dupla brasibraseira!); além de poemas traduzidos e publicados em coletâneas de diversos países, também organizou as antologias Cinco Séculos de Poesia (2000) e, com Cláudio Daniel, Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil (2002) – e haja experiência nisso tudo!! – confessa que pagou para publicarem seu primeiro livro, dividiu as despesas com o segundo e encontrou reconhecimento e não mais despesas, a partir do terceiro.

Em seguida, Binho, do Sarau do Binho, que acontece toda segunda feira, ali, numa quebrada, próximo a Uniban, estrada do Campo Limpo. Binho é o portal do registro da oratória, do verso e da prosa publicada no gogó pelos habitantes daquela região, que encontra na oportunidade dos seus Saraus, a representação de sua autêntica literatura.

Binho nem tentou acordo, nem enfrentou desgostos com as editoras comerciais, publicou seu próprio livro - todo independente - com lombo artesanal, posto um aplique boliviano, bilíngüe, em parceria com outro poeta Allan Rosa, o livro chama-se “Olhares que Miras”, que vende de mãos em mãos levando suas experiências por toda América Latina.

Sônia Pereira e Binho

A última debatedora da manhã foi a Sônia Pereira que publicou o primeiro livro "solo" em 1998; “Conta Gotas” pela Editora Talentus e em 2004; “MALDIÇÕES e outras crueldades” - pela Meireles Editorial; todos financiados por conta própria, completa!

A autora afirma que Não participa mais de coletâneas cooperativadas nem pretende mais publicar seus livros em editoras formais, diz que é insuportável enfrentar um segundo problema que lhe parece muito maior, que é o da distribuição dos autores não consagrados: “O problema não é publicar, pagando qualquer editora publica. O sinistro é distribuir. Vc publica, leva pra casa e fica aquela montanha de exemplares atravancando as prateleiras”. E diz mais, “...então resolvi quebrar isso tudo, faço minhas próprias edições caseiras em papel sulfite grampeado. Poucas páginas, preço pequeno; mesmo sendo pouco conhecida, pelo preço muita gente compra, e aí vou ficando conhecida e fazendo virar uma grana. Imprimo o que acho que vai vender, dependendo do evento, sem grandes custos pra mim e sempre cobertos pelas vendas”... É isso, tá resolvido!

...e deixo ai um resumido rápido rabisco das diversas experimentações desses debatedores mágicos formados em diferentes escolas, que tiram da cartola mestra ou usam do jeitinho brasileiro para imprimir seus sonhos e o conteúdo de suas experiências.















Binho, Paulo Almeida, Renato Palmares, Frederico Barbosa, André Luís e Ivan Antunes

...e vamos acelerando, o projeto treze visões continua, nos acompanhe por aqui!

Por Rui Mascarenhas

7 comentários:

Ivan Antunes disse...

e ó estamos na fita, na foto e no processo...
tá indo ou vai ou foi?
estamos juntos, ivan.

Sonia disse...

Gostei d+ da conta!!!! Claro e sucinto, tudo já é. Só que tem uns erros com o Binho: o livro é junto com o "feríssima" Serginho Poeta, nada ou tudo a ver com o Alan da Rosa, mas outro. E o nome é: "Donde Miras - Dois Poetas e um Caminho", Edições Toró, essa editora periférica sim do Alan da Rosa, Sílvio e + uma pessoa que não lembro. E pelo projeto VAI na 1a edição, agora 2a por conta própria. Sabe o que faltou no debate e no blog? A SUA experiência nessa correria!!! Cadê? bjssssss poéticos

Ivan Antunes disse...

rui, já tinha percebido os erros, mas não fiquei com tempo de correção.

isso ae rui, quais as suas experiências?

as minhas... acho q ainda tenho que viver muito para ser saudoso, td vai indo.

Sonia disse...

Ô Ivan, deixa de chororô e conta aí do seu corre literário também. Rui, aperta que ele fala.

José Feldman disse...

Este tipo de debate é importante para mostrar às pessoas os caminhos que devem ou não ser percorridos.
Aproveitando, visite o meu blog Pavilhão Literário http://singrandohorizontes.blogspot.com, onde coloquei o debate.
Abraços literários
J Feldman

Ivan Antunes disse...

kkkk..."aperta que ele fala", não havia pegado que era comigo a pergunta.
Sonia, organizei o SarauÊ! (que rolava nas escadas da usp), organizei edições da FLAP(festa literária aberta ao público) com a turma do vacamarela, publiquei na antologia da vacamarela, publiquei no casulo, tenho meus fanzines mentolados que repasso de mão em mão, estou coordenando o projeto "13 visões do largo treze de maio" com o andré, carol, rui e turma toda...
tenho lido bastante e pretendo escrever e aprender ainda mto com quem tá na correria como vc.
ahhh, na área acadêmica estou atualmente desenvolvendo um trabalho da semiótica "literatura periférica e as vozes feminias da periferia" a primeira análise está sendo produzida na comparação de poemas e discursos da Sonia Pereira(assesa e sarau do brás) e da Elizandra Souza (cooperifa), meu orientador é o Antonio Vicente, esse mesmo do debate.

fica assim, num bar conversamos mais ou no próximo debate...
ivan.

Sonia disse...

Fechou, Ivan! Gostei do nosso papo lá na Casa Amarela, do pessoal da poesia tb, todo o mundo afiado!!! Mudando o foco: e aí, Rui, cadê o seu corre até aqui? Ficou devendo...