segunda-feira, 20 de abril de 2009

Jornal Estado de São Paulo.

São Paulo, sábado, 18 de abril de 2009.
Poetas cantam Santo Amaro, bairro da zona sul de São Paulo.

O cotidiano do bairro, com sua "sinfonia popular", é retratado por 13 poetas no livro ' Santo Largo Treze'.

Por Edison Veiga, de O Estado de S. Paulo.

Capa do livro "Santo Largo Treze" com desenho de Jozz.
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SÃO PAULO - Sete meses, um bairro, 13 poetas, R$ 13,2 mil e um projeto. Se fosse uma equação matemática, bastariam esses números para que brotasse o livro Santo Largo Treze (Editora Annablume, 72 páginas, R$ 15). Como é poesia, há muito mais rimas e acasos. Nem todos os "poetas de Santo Amaro" nasceram ou viveram no bairro, mas foi ali que eles se encontraram e compuseram seus versos. Por meio de palavras, retrataram o cotidiano do bairro, com sua "sinfonia popular" (leva capa do celular/ leva DVD barato/ quatro meu é um), seu metrô que liga o "nada ao sonho", sua praça cercada por grades "que nem tigre no xadrez", suas prostitutas, seus mendigos...
Grupo de poetas autores do livro Santo Largo Treze. Foto: Jonne Roriz/AE

Ivan Antunes e Ana Caroline. Ft RM

No início do ano passado, o poeta e estudante de Letras da Universidade de São Paulo Ivan Antunes, de 25 anos, começou a arrebanhar amigos literatos para animar o bairro da zona sul paulistana. "Queria fazer algo plural, com viés cultural, que lançasse um olhar para Santo Amaro", recorda. Com a ajuda de dois colaboradores - a turismóloga Ana Caroline Araújo, de 22 anos, e o estudante André Luís, de 24 -, inscreveu um projeto no programa Valorização de Iniciativas Culturais (Vai), da Secretaria Municipal de Cultura. Conseguiram o financiamento de R$ 13,2 mil para promover uma série de oficinas literárias e apresentações de poesia em Santo Amaro. Essa efervescência cultural resultou na publicação do fanzine Trezine Santo Amaro, do blog Treze Visões http://www.trezevisoes.blogspot.com/ e, por fim, do livro Santo Largo Treze.

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Ivan, que nasceu e sempre morou nos arredores de Santo Amaro, se lembrou de sua experiência como vendedor de planos de saúde - entre 2004 e 2005 - para escrever seu poema. "Na época, conviver com os camelôs do Largo 13 de Maio foi minha descoberta do mundo", afirma. Em versos: "posso falar um minuto?/ posso te ajudar um minuto?/ posso te assaltar um minuto?/ posso te surrar um minuto?/ posso te matar um minuto?" .

Sissy Eiko, Ad Rocha, Rui Mascarenhas, Erika Pires, Ana Caroline, Ivan Antunes, Roseli Kraemer, João Rosalvo, Indiara Nicoletti, Paulo Almeida, Domenico Almeida e Carlos Galdino, juntos com Paulo Eiró estatuado ao fundo. Foto Jonne Roriz.

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Além dele, o projeto teve a participação de outros 12 poetas, um ilustrador, uma fotógrafa e uma artista hippie. "Ela (a artista Roseli Kraemer), por atuar no Largo 13, nos ajudou no contato com o pessoal dali", explica a fotógrafa Sissy Eiko, de 26 anos, que fez 874 imagens do bairro - sete delas acabaram publicadas no livro. "Para mim foi uma experiência maluca porque nunca tinha ido à periferia", revela o ilustrador Jozz, de 25 anos, que há seis anos veio de Jaú (SP) para morar no centro de São Paulo. "Enchi um caderno com ilustrações das andanças que fizemos em Santo Amaro."
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Para nortear o trabalho dos poetas, o grupo determinou que cada um escreveria sobre um tema predefinido. Treze temas. Na lista: as prostitutas do Largo 13, os eventos da Praça Floriano Peixoto, as grades da mesma praça, a Linha Lilás do Metrô, os vendedores ambulantes, o poeta santamarense Paulo Eiró (1836-1871), um passeio noturno pelo bairro, a história da região, a diversidade cultural, a miscigenação, o meio ambiente, a marca dos escravos e uma ode aos artistas.
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Imbuídos da missão, os poetas, em geral assíduos frequentadores de saraus paulistanos, não economizaram inspiração para a empreitada. "Um dos grandes problemas que a gente tem na zona sul é chegar ao centro da cidade e o sonho do santamarense sempre foi ter um metrô", se justifica Ad Rocha, de 49 anos. "Só que quando chegou, ligava o Largo 13 ao Capão Redondo." A Erika Pires, de 21 anos, coube homenagear Paulo Eiró. "Ele é de uma importância que as pessoas escondem", diz.
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Também jovem, João Rosalvo, de 23 anos, enfrentou o papel de poeta-boêmio e desvendou a noite santamarense. "Na adolescência, eu morava perto da Represa de Guarapiranga e tinha muito contato com Santo Amaro. Os ônibus que pegava sempre passavam pela região do Largo 13", lembra. "Via as brigas de bar, os menores que moram na rua, as ‘trabalhadoras da noite’... E a estátua de Borba Gato, aquele grande bonecão com cara de santo e uma arma na mão."
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Para o pernambucano Carlos Galdino, de 30 anos, que vive na capital paulista desde 1994, o Largo Treze é um verdadeiro Nordeste paulistano. "Tem muito da cultura do ‘norte’ ali, até naquele comércio. Por que não criar um polo cultural na zona sul?", defende. O baiano Rui Mascarenhas, de 46 anos, optou por tratar de um tema histórico. "Santo Amaro foi rota de passagem de negros fugidos para o Quilombo de Cafundó, no interior", conta. "Quando eu passo por aqueles caminhos, reencarnado naquelas visões, o que eu vejo? As casas, as pequenas construções, o sofrimento, as ruas estreitas..."
Ft RM
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Já a escolha de Domenico Almeida se mistura com sua chegada a Santo Amaro. Ele se mudou para lá, vindo de Sorocaba (SP), há 13 anos. Na mesma época em que a Praça Floriano Peixoto era cercada por grades. "Meu poema é uma discussão profunda da questão do espaço público e do espaço privado. Há um processo de isolamento", argumenta. "A praça gradeada foi uma solução ruim, mas os camelôs, as drogas e os pontos de prostituição a estavam invadindo." Em sua opinião, a melhor solução seria ocupar a praça com arte. " Tem um coreto, tem o artesanato local...", enumera. E a poesia, contemporânea, urbana, periférica, criada diuturnamente pelos 13 poetas de Santo Amaro.
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Ft RM
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Leia, abaixo, alguns dos poemas nascidos do projeto:
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Angola Janga
(Rui Mascarenhas)


..."aquele não foi o pior sofrimento quando íamo mato a dentro
fugindo a dente de cão"
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Pior o rosto vincado nos anos de solidão e assombros!
Pior o olhar catatônico que não distingue onde estamos!
Pior viver a honra de tão maculada mágoa sob intermináveis escombros!
Pior o degredo da alma no limbo que não diz quem realmente somos!
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..."Angola Janga surge a qualquer momento!
(...a qualquer momento)"
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..."com as forças de Olorum! de Olorum!"
Nosso Alimento!
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"muitos moços moças - poucos velhos dando o exemplo
aos que nunca chegaram tão longe - a sol poente
aos que nunca aqueles matos investigaram"
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Nego bom não se rende! Não se vende!
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"mato que cortava feito navalha,
e pio de pássaro nunca ouvido - seguido
por olho de índio menos temido que ferros na senzala"
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...e quando a noite caía, ninguém entendia a tormenta que se passava
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E naquela noite,
Eu quis a morte de imediato!
Mas a morte não me quis!
Em Pânico devora-me as entranhas!
Em Pânico ressuscito!
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Aí De Nós Quando A Noite Nos Deixar Se Pudermos Abrir Os Olhos À Realidade... Fitaríamos Com Horror A Vida O Espírito Haveríamos De Despertar E Que Certamente A Mercê De Tantas Atrocidades Deixaria O Corpo Transfigurado Ao Extremo A Ponto De Partir Pois O Espírito Não Nos Quer Atados Ao Mundo Quer Abandonar-Nos A Qualquer Momento
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"...e fomos encontrando terra boa,
Boa como os deuses haviam dito!
Bendito Exu! Que nos trouxe a essas alturas!
Bendito Oxossi! Por debandar esses malditos!
Bendito São Benedito!
Aos que existem na extensão de minha textura!"
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II
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Vejo que muitos anos se passaram
Do Cafundó a Santo Amaro,
Onde a morte não me quis naquela noite...
Nem a lenta agonia do açoite!
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...e encontro nossas antigas casas de dandaka embrutecidas!
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Lado a lado sobremesmos ombros lacerados,
Meu Desorganizado Quilombo!
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Vejo o intenso colorido que derrama quando essas delicadas habitações de miúdos abrem suas portas...
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O sangue a escorrer-lhes as veias de vias em avenidas expostas
Que de súbito amanhece exalando os odores agreste dos Silvas
das frias calçadas sob as costas...
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...E Salve! Salve! Os Santos Silvas! Os Joseniltons também!
Que dia a dia revivem a mesma enxotada refinada de horrores
Às vistas cegas da Igreja Matriz da Eterna Glória dos Honoráveis Senhores!
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...vejo quão tristes teus filhos estão!

...um amargo frescor lhes saem das janelas do riso como se entoassem cânticos de alegria no exílio.
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Sigo por entre ruas estreitas e tortas
O sândalo perfuma o machado que o corta.

Paulo Almeida e Erica Pires.
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O Limpo
(Erika Pires)

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Se Paulo Amaro,
São Paulo Eiró:
Do arrabalde um canto
em pés marcados
pelo amargo pó.
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Sangue limpo, ou quase -
São sangues derramados
pelas beiras
do santo.
São Paulos agrilhoados
- eiras da quase cidade.
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São sonhos de humanidade
em liames angustiados.
São versos
silenciados.
São eco - refúgio das Arcadas
- mansitude e liberdade
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Arroubos e perfeições
de infortúnio
- plenitude em fuga às instruções:
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Na morosa vila Ibirapuera
O quase padre-jurista, poeta
Fez animar revoltas a sua era
E
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Em cantos d’um santo malfadado,
encontrado o pranto contra-atado,
à recolha do manto-encanto famigerado
da doutrina
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de ser-vir e ser pecado
por amar em fugas, agridoce sorte
e
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atuar em corte
cada verso e fado,
toda morte
-
Fuligem hoje, treze
- O largo pranto
de um poeta só
Carlos Galdino e Ad Rocha.

Metrô: do sonho ao nada
(Ad Rocha)

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Por aqui
passaram as mulas dos bandeirantes
abrindo picadas
as parelhas com as tralhas dos imigrantes
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Por aqui
passaram as procissões
com a imagem em andor de Santo Amaro
os magarefes, saltimbancos e vates
os camelôs com suas quinquilharias
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Ao lado da Matriz do Largo 13
jaz uma placa
indicando a última viagem dos bondes
onde hoje, ali mesmo
inicia a nova rota do metrô
ligando o sonho ao nada

Largo Treze de Maio
(Ivan Antunes)

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leva capa do celular
leva dvd barato
quatro meu é um
gelada coca gelada
gelada brahma gelada
amendoim do he-man
come o meu aqui faz neném
vem o carro do pão doce
tem pão de creme de côco
tem pão de creme de milho
atestado de saúde
faço dez o atestado
faço exame de vista, dentista
olha ótica ótica ótica tia
eu compro: ouro
dólar euro ouro
bom dia senhor!
posso falar um minuto?
posso te ajudar um minuto?
posso te assaltar um minuto?
posso te surrar um minuto?
posso te matar um minuto?
cheguei hoje afim de venda
só não quero é caroço
hoje faço promoção
vendo aqui a banca inteira
olha o cafezim com leite
(amendoim do japonês)
é caldo de cana do bacana
tapioca toda doce
o carro do pão doce vai passar
é o queijo das minas do mineiro
tem saúde tem plano de saúde
ultrassom
faz na hora senhora?
chega cá gato,
namora, amá, rola?
brincá
de fazê fiô?
é dez: garanto a diversão.
amai-vos sempre uns aos outros
contribua sempre teu reino
foge dos pecados da carne
a lê l uia l uia
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"- VEM RÁPA"
vai pau
polícia
sem papo
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fim da sinfonia
popular
Erika Pires, Syssi Eiko, João Rosalvo e Domenico Almeida.
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Ao Santo armado
(João Rosalvo)

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ajoelhado
devotado em oração
surge no banquinho inexistente da praça
um homem
na noite
que diante de sua devoção paulista
(a estátua do Borba Gato)
começa:
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"Oh, meu Santo Armado,
de guerra construído e preparado,
que guardas a cidade amarga de barro,
bairro da grande metrópole, São Paulo,
meu tempo anti-lunar vem te pedir,
salve nossas noites de esperança
salve nossas boites, nossas danças,
nas ruas terminais de Santo Amaro
nas praças floreais de poucos atos,
nas casas da antiga: antigos fatos.
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Fazei de nossa flor Matriz,
da alameda eira e da Eiró Meretriz,
a chave para acharmos o paraíso,
asfalto e carro e condutor divinos.
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Com goles de cerveja, salvai as nossas almas padecidas
e as pobres caras, um tanto parecidas
dos jovens moços que roem o osso sujo e bebem do esgoto pútrido da cidade esquecida.
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Aos maltrapilhos que cantam vícios
em coro triste no coreto limpo da Floriano,
dá menos planos e mais oportunidade
de fumarem um cigarro novo por noite
ou de cobrirem seus corpos poucos com lençóis de verdade.
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Salve nossas Ladys e nossos End Nights.
E salve esta alma de homem pobre
que toda noite se cobre com manto de jornal
e diante da lua: silêncio sepulcral;
clama pelo povo sofrido
da noite querida
da Santo Amaro perdida
entre os becos e os beijos de suas meninas."

Prisão: a Praça é do Povo
(Domenico Almeida)

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Prenderam a praça, Floriano!
Que prosa essa, que surpresa, o que foi que desgraçou?
Doze anos represada, que nem tigre no xadrez
coreto, banco, árvores, passeio, tudo grade e cadiado!
Mas que agressão!
Quem é que apropriou com olho-grande o que era alegre?
Tremenda encrenca!
Bola-presa, contrabando, prostituta, ladroagem, desemprego,
bate-prego, amarração, estupramento, sangradouro,
vale-brinde, represália...
sem falar na cobra-grande, pedregosa profissão
expresso preço da praga, play-ground da droga
Vixe-Maria! Coisa braba!
E outro arranjo? Em vez de prender, não podia proteger?
Difícil, mais trabalho, mais depressa aprisionar, encarcerar
Mas o segredo, apropriado, é regredir a repressão
O compromisso, a promessa, é impregnar a praça
De arte, aprendizado, educação.
E se o pau rolar, a polícia, beleguim
Pra engradar no xilindró - não a praça inofensiva -
os que degradam a paz do povo
malogrando a alegria, a graça livre
sagrada a qualquer pessoa.
Não à prisão! Captura-cadeia, clausura da praça
Sim ao conviver! Prosa branda, surpresa, apreço humano, predileto.
Desprendam a grade da praça!
Empreguem arte no espaço!
Tirem a grade da praça!
Criem arte no espaço...!

O TREZE DO LARGO
(Carlos Galdino)

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O TREZE DO LARGO
DO LARGO QUE É TREZE
TREZE !
AZAR OU SORTE ?
VIDA OU MORTE ?
TREZE !
APENAS UM NUMERO ?
VINTE MENOS SETE
CINCO MAIS OITO
SUPERTIÇAO
ILUSAO
O QUE HÁ ?
A QUEM COMPETE EXPLICAR ?
TANTA GENTE...
GENTE !
EM UM SÓ LUGAR
TANTA COISA PRA VENDER
E COMPRAR
NOVO NORDESTE DE CASAS DO NORTE
NORDESTINOS EM BUSCA DE TRABALHO
SONHOS E SORTE
PLANTAS,RAÍZES DE MANDACARU
(ATÉ PENSEI ESTÁ EM CARUARU)
SORTE DE QUEM ?
AZAR DE QUEM ?
AQUELE É TREZE !
A PLACA INDICA:
AQUI É TREZE
E LARGO
É FACIL DE SE PERDER
OU SE ENCONTRAR.
VIA LARGO TREZE
TERMINAL BANDEIRA VIA LARGO TREZE
TERMINAL VARGINHA VIA LARGO TREZE
JD ANGELA
CAPELINHA
E OUTRAS LINHAS
DOS SONHOS
TRABALHOS
FILHOS
FEIRAS
FESTAS
BILHTE UNICO AFINAL !
VIA LARGO TREZE
DE TERMINAL A TERMINAL.
SANTO AMARO
AMARO !
OLHA O LARGO !
AMARO !
O LARGO AMARO!
O LARGO
AMAROS AMARGOS, ANDAO PELAS RUAS
E SÃO TANTOS
BRANCOS
PRETOS
MARIAS
JOAQUINS
SEVERINOS
E OUTROS TANTOS
DE TODOS OS CANTOS
CABROBOS
CABACEIRAS
JEQUIÉ
FREI MIGUELINHO
SURUBIM
VIA LARGO
TODOS OS DIAS A CIDADE É ATRAVESSADA.

Link para a matéria do Jornal Estado de São Paulo

Saúde e Paz!!
RM

3 comentários:

Humberto disse...

Êita, Santamaro véi di guerra!
Vocês já ouviram falar do "Largo da Bola"? Pois é, em 1888, após a assinatura da Lei Áurea, em comemoração a libertação dos escravos, a Câmara Municipal do Município de Santo Amaro, aprovou a mudança de nome de Largo da Bola para "Largo 13 de Maio", em homenagem a data da emancipação negra.
Quem quiser uma dica, o acervo municipal de São Paulo, no centro, entre a estação Luz do Metrô e a Fatec, tem todas as atas da câmara municipal de Santo Amaro. Tem muita coisa legal lá, vale a pena.
Fiz meu trabalho de conclusão de curso(de História) sobre um trem a vapor que ligava Santo Amaro a São Paulo, que na época ajudou muito a diminuir distâncias,foi quando tomei contato com aquele acervo.
Belo trabalho, belo blog. Um abraço santamarense no cêis!

Ivan Antunes disse...

yeah! bela pedida, lindo largo nosso, largo da bola 13.

vamos nessa,

ivantunes.

joanadarc disse...

O maravilhoso poeta Paulo Almeida, cria seus textos inspirados em crianças, moças e adolescentes...Descreve seus devaneios pedófilos em versos e recita-os em abuso!Denuncie! Ajude a fazer um mundo melhor...
http://imageshack.us/photo/my-images/9/imagemvqp.png/